Pais e Filhos: Consequências naturais e Consequências lógicas
As consequências, na educação de uma criança, têm como objetivo a eliminação ou diminuição de comportamentos indesejados. Neste sentido, a escolha de uma estratégia adequada, torna-se importante para atingir os objetivos pretendidos, e, a longo prazo, ajudar que a criança aprenda a tomar decisões, a assumir responsabilidade pelas suas atitudes e a aprender com os seus erros.
É neste enquadramento que se fala das consequências naturais e das consequências lógicas.
Consequências Naturais e Consequências Lógicas
As consequências naturais dizem respeito às consequências que resultam da ação de uma criança, caso não houvesse a intervenção de um adulto. Por exemplo: Se a Rita não quisesse vestir o casaco iria apanhar frio.
Outros exemplos de consequências naturais :
-Se uma criança partir um brinquedo num ataque de fúria, vai ficar sem brinquedo.
-Se se atrasar para o jantar, a comida vai ficar fria e as outras pessoas da família já se terão
levantado da mesa.
-Se a criança não comer à refeição, vai ter fome, visto que só volta a comer na refeição
seguinte.
-Se as roupas não são arrumadas no armário, vão sujar-se.
As consequências lógicas, por outro lado, são planeadas pelos adultos como consequência ligada a um comportamento incorreto. Por exemplo: Uma consequência lógica de fazer chichi na cama será mandar a criança tirar os lençóis da cama e colocá-los na máquina de lavar.
Outros exemplos de consequências lógicas:
-Se a criança não arrumar os lápis, fica sem eles.
-Se se recusa a comer ao jantar, fica sem a sobremesa e direito a guloseimas.
-Se deitar água para fora da banheira, acaba o banho.
-Se não for capaz de permanecer dentro do pátio a brincar, tem de vir para dentro de
casa.
-Se deixa ficar o copo na sala de estar, não pode levar nenhuma bebida para lá no dia
seguinte.
-Se não quis lanchar, não pode comer nada antes do jantar, mesmo que tenha fome.
-Se vir mais televisão do que lhe foi permitido, no dia seguinte esse tempo de
televisão é descontado.
-Se não arrumar a bicicleta na garagem, não volta a andar nesse dia.
Ao recorrer a esta técnica o adulto está a agir de modo a não proteger as crianças das consequências negativas dos seus atos.
Algumas considerações a ter:
-As consequências naturais e lógicas são mais eficazes para comportamentos que se repetem.
-É necessário que os pais decidam antecipadamente que consequências aplicar.
-A estratégia das consequências, tal como qualquer técnica parental ou educacional, exige tempo, planeamento, paciência e repetição.
-A maioria das consequências naturais e lógicas funcionam melhor com crianças a partir dos 5 anos. As consequências lógicas para crianças em idade pré-escolar, são aquelas que se articulam com “Se...então”. Por exemplo: “Se andares a tirar a pastilha elástica da boca, ficas sem ela.”
-As expectativas do adulto devem corresponder à idade da criança:
Por exemplo: Se a Matilde ainda não sabe usar a sanita mas é obrigada a lavar as cuecas ou a mudar os lençóis da cama, poderá sentir-se injustamente criticada ou humilhada. Já negar a sobremesa ou uma guloseima a uma criança que se recusou a comer o jantar é uma consequência adequada.
-Devem-se evitar consequências naturais que possam levar a que a criança se magoe, por exemplo, deixar que a criança meta os dedos numa tomada elétrica ou tocar num fogão.
-É importante que o adulto aja de acordo com o estabelecido.
Alguns cuidadores estão tão em sintonia com a criança que sentem remorsos por não os ajudar e acabam por intervir antes que a criança sinta os resultados das suas ações. Neste sentido, é importante escolher consequências que saiba que será capaz de cumprir.
-As consequências devem ser aplicadas sem grande demora. A abordagem das consequências lógicas e naturais não funciona quando as consequências estão muito distantes dos comportamentos inadequados.
Por exemplo: A consequência natural de não lavar os dentes é ter cáries a longo prazo, mas tal não seria uma consequência eficaz e com resultados de mudança a curto prazo.
Um outro exemplo: Permitir que uma criança não faça os trabalhos de casa e continue a ver televisão todas as noites até chegar a pauta das notas é uma outra consequência que, de tão afastada, não chega a ter influência nos hábitos de estudo da criança e, contrariamente ao pretendido, a longo prazo, a criança poderá sentir-se desencorajada relativamente às suas capacidades.
Nas crianças em idade pré-escolar, é importante que as consequências se façam sentir logo após o comportamento errado. Por exemplo, se o Francisco estraga o brinquedo de outra criança, então este deve ser substituído assim que possível com a ajuda do Francisco a pagá-lo, por exemplo, realizando pequenas tarefas em casa. Se a Pipa não puser a roupa no cesto da roupa suja, terá de usar roupas sujas.
-Deixar a criança fazer as suas opções
É importante que antes de recorrer a esta abordagem dê conhecimento antecipado às crianças das possíveis consequências. Por exemplo: Se o pai da Rita disser “Não estás vestida e são horas de irmos embora, vais mesmo assim, de pijama!”, a Rita não tem a possibilidade de decidir e estar pronta às 8 da manhã ou de se vestir no carro, a caminho da escola. A criança poderá ficar ressentida e provavelmente não se sentirá responsável pelas consequências do seu comportamento.
Um melhor exemplo seria o pai da Rita dizer: “ Como não consegues ficar pronta a horas de manhã, posso arranjar-te um despertador, ou podes ir para a cama meia hora mais cedo”. Ou ainda “Se não estiveres vestida e pronta às 8h, não tomas o pequeno-almoço e vais te vestir no carro.”. Neste último exemplo, cabe à criança tomar a decisão sobre como reagir.
-As consequências não devem prolongar-se muito no tempo.
Por exemplo, a Beatriz que tem 4 anos está a pintar com os lápis de cera e começa a pintar o tampo da mesa da cozinha, a consequência lógica será dizer-lhe: “Se vais pintar fora do papel, tenho de te tirar os lápis”. Se ela continuar a pintar a mesa, fica sem os lápis, mas devem ser-lhe devolvidos meia hora depois, para lhe dar uma
nova oportunidade de usar o lápis como deve ser.
Uma punição excessiva e prolongada no tempo seria dizer à Beatriz que vai ficar sem pintar durante uma semana.
-Seja direto e afetuoso
O objetivo das consequências é deixar que as crianças descubram por elas próprias, através da experiência, as consequências negativas do seu comportamento. É importante ser assertivo e direto e estar preparado para concretizar e ignorar os protestos e pedidos das crianças. Se a criança recusar a aceitar as consequências pode recorrer ao Tempo de Pausa ou à remoção de um privilégio, o que melhor se aplicar à situação.
Se tiver dúvidas sobre qual a melhor estratégia de mudança de comportamento a utilizar num caso específico, não hesite em procurar um especialista.
Autora: Psicóloga Sara Moniz
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